Medicina Dissertativa

Menina, 8a, é trazida para puericultura sem queixas. Antecedentes pessoais: anóxia neonatal grave e convulsões, paralisia cerebral grau V pelo Gross Motor Function Classification System. Alimentação diária: consume regularmente 240ml de leite de vaca integral com achocolatado em mamadeira duas vezes ao dia, além de duas papas preparadas no liquidificador, com ingredientes semelhantes aos consumidos pela sua família. Nega dificuldades para engolir ou episódios de vômito. Exame físico: IMC=10Kg/m².

Menina, 8a, é trazida para puericultura sem queixas. Antecedentes pessoais: anóxia neonatal grave e convulsões, paralisia cerebral grau V pelo Gross Motor Function Classification System. Alimentação diária: consume regularmente 240ml de leite de vaca integral com achocolatado em mamadeira duas vezes ao dia, além de duas papas preparadas no liquidificador, com ingredientes semelhantes aos consumidos pela sua família. Nega dificuldades para engolir ou episódios de vômito. Exame físico: IMC=10Kg/m².

Resolução completa

Explicação passo a passo

Resumo da resposta

Como as opções de múltipla escolha não estão visíveis na imagem, tratarei a questão como um estudo de caso clínico aberto para identificar a conduta médica correta.

Resumo da Resposta:
A conduta indicada é o início imediato da nutrição enteral (preferencialmente noturna via sonda ou gastrostomia) para corrigir a desnutrição severa e garantir o aporte calórico necessário.

Justificativa Didática:

O caso clínico apresenta uma criança de 8 anos com Paralisia Cerebral Grau V (GMFCS) e um IMC de $10 \text{ kg/m}^2$. Este valor antropométrico é extremamente baixo para a idade, indicando Desnutrição Aguda Severa.

Para compreender a gravidade e a necessidade de intervenção:

  • Análise do Estado Nutricional: O IMC de referência para uma criança de 8 anos situa-se entre $15$ e $16 \text{ kg/m}^2$. Um valor de $10 \text{ kg/m}^2$ representa um déficit severo que compromete o sistema imune e o desenvolvimento neurológico.
  • Limitações da Via Oral: Pacientes com GMFCS Grau V possuem dependência total para cuidados e mobilidade. A alimentação oral exclusiva frequentemente falha em fornecer calorias suficientes devido à fadiga muscular durante a deglutição e ao alto gasto energético associado à espasticidade.
  • Segurança e Eficiência: Embora a criança negue dificuldades para engolir atualmente, o risco de aspiração silenciosa aumenta com a idade e a progressão da doença. A nutrição enteral permite controlar precisamente o volume e a qualidade dos nutrientes sem sobrecarregar a capacidade de ingestão oral.

Análise Clínica Detalhada

A decisão terapêutica baseia-se nos seguintes pilares fundamentais:

  • Indicação de Nutrição Enteral: Quando a via oral não sustenta o crescimento (como evidenciado pelo IMC crítico), a suplementação enteral é obrigatória para evitar complicações metabólicas e óbito.
  • Escolha do Acesso: Inicialmente, pode-se utilizar sonda nasogástrica (SNG) para teste de tolerância, mas a gastrostomia é frequentemente preferível em casos crônicos de Paralisia Cerebral para facilitar o manejo domiciliar e reduzir o desconforto nasal.
  • Abordagem Multidisciplinar: Além da nutrição, é essencial monitorar a função respiratória, realizar acompanhamento fonoaudiológico contínuo e avaliar a necessidade de medicações antiespásticas para melhorar a eficiência energética global.

Conclusão:

A manutenção da dieta atual ou apenas suplementos orais é inadequada dada a gravidade do quadro. A conduta correta é instituir suporte nutricional enteral para assegurar a recuperação do estado nutricional e a qualidade de vida da paciente.

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