Medicina Múltipla Escolha

Considerando o estado de hiperosmolaridade plasmática, analise as assertivas abaixo: A febre é um achado comum; II. Os pacientes apresentam ânion-gap muito aumentado; III. Cerca de 25% dos pacientes apresentam crises convulsivas; IV. A hiponatremia é fator precipitante de convulsões e coma. Quais estão CORRETAS?

Considerando o estado de hiperosmolaridade plasmática, analise as assertivas abaixo:

I. A febre é um achado comum;
II. Os pacientes apresentam ânion-gap muito aumentado;
III. Cerca de 25% dos pacientes apresentam crises convulsivas;
IV. A hiponatremia é fator precipitante de convulsões e coma.

Quais estão CORRETAS?

  1. Apenas I e II.
  2. Apenas I e III.
  3. Apenas II e IV.
  4. Apenas II, III e IV.
  5. I, II, III e IV.

Resolução completa

Explicação passo a passo

B
Alternativa B

Alternativa B - Apenas I e III

Esta questão aborda o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHG), uma complicação aguda do diabetes mellitus que requer reconhecimento rápido para evitar óbitos. Para responder corretamente, é fundamental distinguir as características clínicas e laboratoriais do EHG das do Cetoacidose Diabética (CAD).

Análise Detalhada das Assertivas

Para identificar a resposta correta, vamos avaliar cada item com base nas diretrizes atuais (como as da Sociedade Brasileira de Diabetes e American Diabetes Association):

  • I. A febre é um achado comum:
  • Correto. A infecção é o fator precipitante mais frequente em cerca de 60% a 70% dos casos de EHG. Como a infecção frequentemente gera resposta inflamatória sistêmica, a febre é um sinal clínico comum, embora possa estar ausente em idosos ou imunossuprimidos.
  • II. Os pacientes apresentam ânion-gap muito aumentado:
  • Incorreto. Esta é a principal diferença entre o EHG e a CAD.
  • No EHG, o déficit de insulina é suficiente para impedir a lipólise (produção de corpos cetônicos), mas insuficiente para prevenir a hiperglicemia. Portanto, não há acúmulo significativo de ácidos orgânicos. O ânion gap geralmente está normal ou levemente elevado (devido à desidratação severa e possível acidose láctica por hipoperfusão), mas nunca "muito aumentado".
  • O ânion gap muito aumentado é a marca registrada da Cetoacidose Diabética (CAD) devido aos cetoácidos.
  • III. Cerca de 25% dos pacientes apresentam crises convulsivas:
  • Correto. A hiperosmolaridade plasmática extrema causa desidratação celular cerebral, levando a alterações neurológicas variadas (confusão, estupor, coma). Crises convulsivas ocorrem em aproximadamente 20% a 25% dos pacientes, sendo mais comuns em crianças e adultos jovens.
  • IV. A hiponatremia é fator precipitante de convulsões e coma:
  • Incorreto/Discutível. Embora distúrbios eletrolíticos sejam comuns, o quadro clássico do EHG envolve hipernatremia (devido à perda de água livre superior à perda de sódio) ou sódio normal corrigido pela glicose alta. A hiperosmolaridade é o fator principal para as convulsões e coma, não a hiponatremia isolada. Além disso, a hiponatremia grave pode causar edema cerebral, mas no contexto do EHG, a hiper-hidrosidade é o problema dominante.

Comparativo: EHG vs. CAD

CaracterísticaEstado Hiperosmolar (EHG)Cetoacidose (CAD)
GlicemiaMuito alta (> 600 mg/dL)Alta (> 250 mg/dL)
pH / BicarbonatopH > 7,30 (Sem acidose significativa)pH < 7,30 (Acidose metabólica)
Corpos CetônicosNegativos ou fracosPositivos moderados/fortes
Ânion GapNormal ou leve aumentoMuito aumentado
Alteração NeurológicaFoco na hipersensibilidade/comaFrequente, mas menos profundo

Conclusão

As assertivas I e III são clinicamente precisas para o quadro de hiperosmolaridade plasmática. A assertiva II descreve a Cetoacidose Diabética, e não o EHG. Portanto, a combinação correta é apenas I e III.

Observação: A imagem mostra a opção D selecionada, mas sob a perspectiva médica padrão e das diretrizes de consenso, a alternativa B é a tecnicamente correta. Em bancas de concurso, questões como esta podem gerar polêmica se o gabarito oficial considerar variações fisiológicas específicas (ex.: acidose láctica severa em choque), mas o critério de diferenciação clássico mantém o ânion gap alto como marcador de CAD.

Alternativa B

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