Alternativa B - Apenas I e III
Esta questão aborda o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHG), uma complicação aguda do diabetes mellitus que requer reconhecimento rápido para evitar óbitos. Para responder corretamente, é fundamental distinguir as características clínicas e laboratoriais do EHG das do Cetoacidose Diabética (CAD).
Análise Detalhada das Assertivas
Para identificar a resposta correta, vamos avaliar cada item com base nas diretrizes atuais (como as da Sociedade Brasileira de Diabetes e American Diabetes Association):
- I. A febre é um achado comum:
- Correto. A infecção é o fator precipitante mais frequente em cerca de 60% a 70% dos casos de EHG. Como a infecção frequentemente gera resposta inflamatória sistêmica, a febre é um sinal clínico comum, embora possa estar ausente em idosos ou imunossuprimidos.
- II. Os pacientes apresentam ânion-gap muito aumentado:
- Incorreto. Esta é a principal diferença entre o EHG e a CAD.
- No EHG, o déficit de insulina é suficiente para impedir a lipólise (produção de corpos cetônicos), mas insuficiente para prevenir a hiperglicemia. Portanto, não há acúmulo significativo de ácidos orgânicos. O ânion gap geralmente está normal ou levemente elevado (devido à desidratação severa e possível acidose láctica por hipoperfusão), mas nunca "muito aumentado".
- O ânion gap muito aumentado é a marca registrada da Cetoacidose Diabética (CAD) devido aos cetoácidos.
- III. Cerca de 25% dos pacientes apresentam crises convulsivas:
- Correto. A hiperosmolaridade plasmática extrema causa desidratação celular cerebral, levando a alterações neurológicas variadas (confusão, estupor, coma). Crises convulsivas ocorrem em aproximadamente 20% a 25% dos pacientes, sendo mais comuns em crianças e adultos jovens.
- IV. A hiponatremia é fator precipitante de convulsões e coma:
- Incorreto/Discutível. Embora distúrbios eletrolíticos sejam comuns, o quadro clássico do EHG envolve hipernatremia (devido à perda de água livre superior à perda de sódio) ou sódio normal corrigido pela glicose alta. A hiperosmolaridade é o fator principal para as convulsões e coma, não a hiponatremia isolada. Além disso, a hiponatremia grave pode causar edema cerebral, mas no contexto do EHG, a hiper-hidrosidade é o problema dominante.
Comparativo: EHG vs. CAD
| Característica | Estado Hiperosmolar (EHG) | Cetoacidose (CAD) |
|---|
| Glicemia | Muito alta (> 600 mg/dL) | Alta (> 250 mg/dL) |
| pH / Bicarbonato | pH > 7,30 (Sem acidose significativa) | pH < 7,30 (Acidose metabólica) |
| Corpos Cetônicos | Negativos ou fracos | Positivos moderados/fortes |
| Ânion Gap | Normal ou leve aumento | Muito aumentado |
| Alteração Neurológica | Foco na hipersensibilidade/coma | Frequente, mas menos profundo |
Conclusão
As assertivas I e III são clinicamente precisas para o quadro de hiperosmolaridade plasmática. A assertiva II descreve a Cetoacidose Diabética, e não o EHG. Portanto, a combinação correta é apenas I e III.
Observação: A imagem mostra a opção D selecionada, mas sob a perspectiva médica padrão e das diretrizes de consenso, a alternativa B é a tecnicamente correta. Em bancas de concurso, questões como esta podem gerar polêmica se o gabarito oficial considerar variações fisiológicas específicas (ex.: acidose láctica severa em choque), mas o critério de diferenciação clássico mantém o ânion gap alto como marcador de CAD.
Alternativa B