Medicina Dissertativa

Adolescente, 16a, é trazida ao Pronto-Socorro por falta de ar e mal-estar há dois dias. Exame físico: vigil e confusa; mucosas secas; peso=66Kg; PA=76/48mmHg; FC=124bpm; FR=28rpm; T=37,4°C; oximetria de pulso=96% em ar ambiente. Exames laboratoriais: glicemia=560mg/dL; CO2=0,9mmHg/dL; potássio=3,2mEq/L; sódio=130mEq/L. Gasometria arterial: pH=6,97; HCO3=12mEq/L; PaCO2=24mmHg; PaO2=112mmHg; cloreto=95mEq/L. ALÉM DA REPOSIÇÃO DE POTÁSSIO, A CONDUTA IMEDIATA É:

Adolescente, 16a, é trazida ao Pronto-Socorro por falta de ar e mal-estar há dois dias. Exame físico: vigil e confusa; mucosas secas; peso=66Kg; PA=76/48mmHg; FC=124bpm; FR=28rpm; T=37,4°C; oximetria de pulso=96% em ar ambiente. Exames laboratoriais: glicemia=560mg/dL; CO2=0,9mmHg/dL; potássio=3,2mEq/L; sódio=130mEq/L. Gasometria arterial: pH=6,97; HCO3=12mEq/L; PaCO2=24mmHg; PaO2=112mmHg; cloreto=95mEq/L.

ALÉM DA REPOSIÇÃO DE POTÁSSIO, A CONDUTA IMEDIATA É:

Resolução completa

Explicação passo a passo

Resumo da resposta

Alternativa [Reposição Volêmica com Soro Fisiológico 0,9%]

Diagnóstico e Análise Clínica

O caso clínico descreve uma paciente adolescente com quadro clássico de Acidose Diabética (ADK), caracterizada pela tríade de hiperglicemia, cetoacidose e desidratação.

Critérios presentes no exame:

  • Glicemia: $560\text{ mg/dL}$ (Muito acima de $250\text{ mg/dL}$).
  • pH: $6,97$ (Acidose metabólica grave, normal $>7,35$).
  • Bicarbonato ($HCO_3^-$): $12\text{ mEq/L}$ (Baixo, indicando consumo na neutralização dos ácidos).
  • Desidratação: Mucosas secas, confusão mental, taquicardia e hipotensão.

Prioridades Terapêuticas

A conduta deve seguir a ordem de prioridade vital (ABC) e as diretrizes específicas para ADK.

  1. Estabilidade Hemodinâmica (Choque Hipovolêmico):
  • A paciente apresenta PA de $76/48\text{ mmHg}$ e FC de $124\text{ bpm}$. Isso indica choque hipovolêmico devido à diurese osmótica intensa.
  • Ação Imediata: Expansão volêmica agressiva com Soro Fisiológico 0,9% (cristaloide isotônico) para restaurar a perfusão tecidual.
  1. Eletrólitos (Potássio):
  • O potássio sérico está em $3,2\text{ mEq/L}$ (hipocalemia).
  • Atenção Crítica: A insulina promove a entrada de potássio nas células. Iniciar insulina com potássio baixo pode causar parada cardíaca.
  • Regra: Iniciar insulina apenas quando $K^+ \geq 3,3\text{--}3,5\text{ mEq/L}$. O enunciado já menciona que a reposição de potássio está sendo feita ("Além da reposição...").
  1. Insulina e Bicarbonato:
  • Insulina: Deve ser iniciada após a correção do potássio e estabilização inicial da volemia. Não é a conduta imediatíssima antes dos fluidos neste cenário.
  • Bicarbonato: Geralmente contraindicado na ADK leve/moderada. Apenas considerado se pH $< 6,9$ persistir apesar da terapia padrão ou em casos específicos. Aqui, a reperfusão com fluidos é mais segura e eficaz.

Conclusão

A conduta imediata prioritária, além da correção eletrolítica, é a reposição volêmica para tratar o choque hipovolêmico e melhorar a perfusão renal e tissular, o que ajudará na depuração das cetonas e correção da acidose.

Resumo da Resposta:
A conduta correta é a reposição volêmica com soro fisiológico 0,9%, pois a paciente está em estado de choque hipovolêmico e a hipocalemia impede o início imediato da insulina.

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