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História Múltipla Escolha

O SÉCULO XX: DO TRIUNFO DO DOCUMENTO À REVOLUÇÃO DOCUMENTAL A história faz-se com documentos escritos, sem dúvida. Quando estes existem. Mas pode fazer-se, deve fazer-se sem documentos escritos, quando não existem. Com tudo o que a habilidade do historiador lhe permite utilizar para fabricar seu mel, na falta das flores habituais. Logo, com palavras. Signos. Paisagens e telhas. Com as formas do campo e das veras daninhas. Com os eclipses da lua e as atrelagens dos cavalos de tiro. Com os exames de pedras feitos pelos geólogos e com as análises de metais feitos pelos químicos. Numa palavra, com tudo o que, pertencendo ao homem, depende do homem, serve o homem, exprime o homem, demonstra a presença, a atividade, os gostos e as maneiras de ser do homem. [...] Por isso, Samaran desenvolve a afirmação “A história sem documentos” com esta precisão: “Há que se tomar a palavra ‘documento’ no sentido mais amplo, documento ilustrado, escrito, transmitido pelo som, pela imagem, ou qualquer outra maneira”. LE GOFF, Jacques. História e Memória. Tradução de Bernardo Leitão et al. 7. ed. revista. Campinas: Editora da Unicamp, 2013, p. 490. Le Goff utiliza das palavras de Charles Samaran (1961) para

O SÉCULO XX: DO TRIUNFO DO DOCUMENTO À REVOLUÇÃO DOCUMENTAL

A história faz-se com documentos escritos, sem dúvida. Quando estes existem. Mas pode fazer-se, deve fazer-se sem documentos escritos, quando não existem. Com tudo o que a habilidade do historiador lhe permite utilizar para fabricar seu mel, na falta das flores habituais. Logo, com palavras. Signos. Paisagens e telhas. Com as formas do campo e das veras daninhas. Com os eclipses da lua e as atrelagens dos cavalos de tiro. Com os exames de pedras feitos pelos geólogos e com as análises de metais feitos pelos químicos. Numa palavra, com tudo o que, pertencendo ao homem, depende do homem, serve o homem, exprime o homem, demonstra a presença, a atividade, os gostos e as maneiras de ser do homem.

[...]

Por isso, Samaran desenvolve a afirmação “A história sem documentos” com esta precisão: “Há que se tomar a palavra ‘documento’ no sentido mais amplo, documento ilustrado, escrito, transmitido pelo som, pela imagem, ou qualquer outra maneira”.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Tradução de Bernardo Leitão et al. 7. ed. revista. Campinas: Editora da Unicamp, 2013, p. 490.

Le Goff utiliza das palavras de Charles Samaran (1961) para

  1. discorrer sobre a concepção de documento como fonte histórica, destacando a maior confiabilidade conferida às fontes escritas.
  2. delimitar o uso do conceito de documento histórico apenas a fontes escritas.
  3. afirmar que o historiador deve evitar dialogar com outras disciplinas no que diz respeito à produção de fontes.
  4. atestar a impossibilidade de escrever histórias sobre os quais inexistem documentos escritos.
  5. discorrer sobre a ampliação da ideia de documento histórico para além de fontes escritas.

Resolução completa

Explicação passo a passo

E
Alternativa E

Alternativa E

A questão propõe uma reflexão sobre a evolução do conceito de "documento" na historiografia brasileira e mundial durante o século XX. O texto base, extraído de Jacques Le Goff, discute a transição de uma visão restritiva para uma concepção ampliada das fontes históricas.

O trecho destaca que a construção histórica não depende exclusivamente de textos escritos. Quando estes faltam, o historiador deve recorrer a outros vestígios materiais ou sensoriais.

Análise Detalhada

  • Expansão do Conceito: O texto afirma explicitamente que se deve tomar a palavra "documento" no sentido mais amplo, citando exemplos como "ilustrado, transmitido pelo som, pela imagem". Isso confirma a expansão do conceito além do suporte escrito.
  • Interdisciplinaridade: A menção a "exames de pedras feitos pelos geólogos" e "análises de metais feitas pelos químicos" indica que a produção de fontes históricas dialoga com outras ciências, contrariando a ideia de isolamento.
  • Viabilidade sem Escrita: O primeiro parágrafo inicia dizendo que a história "pode fazer-se... sem documentos escritos, quando não existem", invalidando a ideia de que a ausência de textos torna a história impossível.
  • Contexto Histórico: Essa visão está alinhada com a Escola dos Annales e a Nova História, movimentos que buscaram superar o historicismo tradicional focado apenas em fatos políticos e documentos oficiais.
Afirmação do TextoSignificado
"Sem documentos escritos, quando não existem"A história não depende apenas da escrita.
"Sentido mais amplo"Documento inclui objetos, imagens, sons, etc.
"Pertencendo ao homem... serve o homem"Qualquer rastro humano é fonte histórica.

Portanto, o objetivo principal do uso das palavras de Samaran é defender que o historiador deve ampliar seu leque de fontes, aceitando tudo aquilo que possa revelar o passado, e não apenas papéis e arquivos.

Conclusão

A alternativa E é a única que reflete corretamente a tese apresentada no texto: a ampliação da categoria de documento histórico para incluir suportes variados (imagens, sons, objetos) e não se restringir apenas aos registros escritos.

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